
A tarde estava fresca, há mais de uma semana o tempo estampava na paisagem uma luz belíssima, característica do outono. A cidade, acostumada ao calor excessivo, desfrutava com alegria dos dias agradáveis. No entanto, o tempo bom não amenizava os odores azedos nas ruas, desde que a administração da cidade resolveu instalar contêineres para lixo, verdadeiros monstrengos cor de abóbora abarrotados de todo o tipo de descarte. Diz-se que cada monstro abóbora custou mais de 4 mil reais, o que significa que o erário gastou muito do orçamento com essas peças horríveis, e sem consultar o cidadão que paga impostos. O lixo sempre foi um problema sério no Rio. A população não faz sua parte e, com a ajuda do poder público, só piora em comportamento.
Outro fator que agrava o quadro é, sem dúvida, o crescente número de pessoas, a maioria constituída de homens, que vivem em situação de rua. Em cada esquina vemos pessoas instaladas, abandonadas, fazendo da rua sua casa e banheiro. Com a instalação dos contêineres abóboras, também em cada esquina, criou-se uma equação simples: o aumento da miséria e da sujeira nas ruas. Além disso, a população acaba jogando dentro desses recipientes, que quase têm o tamanho de um carro, de tudo um pouco. Não adiantam os avisos de que entulhos, por exemplo, não devem ser depositados, é inútil. Com isso, o transtorno aumenta e somos obrigados a tapar o nariz por cada esquina que passamos.
O carioca não é muito chegado a um comportamento saudável em se tratando de descarte de lixo. As pessoas jogam no chão desde a guimba de cigarro a uma garrafa de refrigerante, sem cerimônia. As praias, que o carioca diz tanto amar, são outras vítimas desse nefasto comportamento. Ao final do dia, vemos as areias sujas, impregnadas de todo o tipo de sujeira, como copos descartáveis, cascas de coco, canudinhos, sacos plásticos.
Viver no Rio não é para amador, é preciso muita paciência, jogo de cintura e um nariz capacitado para fortes odores. Nem vou entrar na questão dos homens que urinam pelos cantos da cidade. Muito menos nos dejetos produzidos pelos cães, que infelizmente fazem das calçadas uma pista de obstáculos.
O Rio é lindo, mas sem lixo.


