Por Francis Ivanovich:
Desde menino, considero fascinantes os personagens da vida. São pessoas anônimas com as quais esbarramos nas ruas, no bar, no táxi, na esquina. Para conhecer tais personagens, é preciso estar sempre aberto, desprovido de preconceitos e de verdades absolutas. Basta abrir o coração e os ouvidos para escutar suas histórias.
Neste último domingo de maio de 2026, fui passear por Copacabana, bairro que é uma autêntica Babel humana. Conheci um garçom fã de Van Damme. Ele sabe de cor todos os filmes do ator e lutador, desde os 11 anos de idade, quando vivia com a família em João Pessoa, na Paraíba. Conversamos longamente e ele concordou comigo quando lhe disse que o pai de Van Damme e de todos os atores que dedicaram suas carreiras à arte de representar lutando artes marciais foi Bruce Lee. Foi um almoço agradável, e fui muito bem atendido.
O segundo personagem fascinante que conheci surgiu no táxi. Leônidas recebeu esse nome porque sua avó era admiradora de Leônidas da Silva, o Diamante Negro, lendário craque do futebol brasileiro. Dessa admiração nasceram o pai Leônidas, o neto Leônidas e o bisneto Leônidas, que já anunciou que seu futuro filho também se chamará Leônidas. Despedimo-nos com cordialidade; não lhe revelei que torço pelo Flamengo.
O terceiro personagem foi um rapaz em situação de rua há muito tempo. Ele cumprimentou Maya, que vestia uma camisa do Fluminense. O rapaz também é torcedor do tricolor das Laranjeiras. Previu o placar do jogo contra o Cruzeiro e me contou que ainda não conseguiu se livrar do vício em crack. Desejei sinceramente que consiga superar essa dependência. Ele agradeceu e seguiu seu caminho solitário.
Os personagens da vida somos todos nós, cada qual com sua história, suas vitórias, derrotas e esperanças. A vida é um livro, um filme, uma peça de teatro, uma ópera, um balé, uma partida de futebol, um poema. Sempre acreditei que a ficção jamais superará a realidade. A arte é a tentativa humana de compreender a complexidade da existência.
Hoje já não carrego verdades nem crenças absolutas. Essa ideia de possuir respostas definitivas para a vida é uma ilusão. Viver é, afinal, um mistério.



