
FRANCIS IVANOVICH
Escritor, dramaturgo, jornalista, cineasta, roteirista, diretor, produtor cultural e pintor brasileiro. Sua trajetória artística atravessa mais de quatro décadas e reúne literatura, teatro, jornalismo, cinema, artes visuais, música e produção cultural.
Sua obra é marcada pelo trânsito entre diferentes linguagens. A literatura alimenta sua dramaturgia; o jornalismo amplia seu olhar sobre a sociedade; o cinema transforma personagens e histórias em imagens; o teatro aproxima arte e educação; a pintura retoma questões históricas e sociais; e, mais recentemente, o audiovisual se une à música na documentação do jazz brasileiro.
Por sua atuação, recebeu da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro diploma HELONEIDA STUDART como reconhecimento ao seu trabalho em prol da Cultura.
Formação e início na literatura
Sua formação artística ganhou consistência nos anos 1980. Durante a graduação em Jornalismo na Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, participou, entre 1989 e 1990, da Oficina Literária do Núcleo de Atividades Artísticas da Universidade Gama Filho, coordenada pela professora Marina Gutman Tosta Paranhos.
A experiência foi fundamental para sua formação como escritor e estabeleceu uma característica que permaneceria em sua trajetória: a aproximação entre jornalismo, literatura, teatro e pensamento crítico.
1990 — O Despossuído e a Biblioteca Nacional
Em 1990, aos 27 anos, escreveu e montou a primeira versão de O Despossuído, peça inspirada na vida e na obra do poeta paraibano Augusto dos Anjos.
O trabalho chegou ao conhecimento de Affonso Romano de Sant’Anna, então presidente da Biblioteca Nacional. A proposta foi aprovada e a peça integrou as comemorações dos 180 anos da instituição.
O episódio marcou sua trajetória como dramaturgo e estabeleceu uma relação com a Biblioteca Nacional que posteriormente seria ampliada pelo registro de seus textos e obras.
Anos 1990 — jornalismo cultural, rádio e artes
Durante os anos 1990, Ivanovich ampliou sua atuação no jornalismo cultural.
Foi criador da Revista de Artes Expor, publicação dedicada às artes plásticas brasileiras, que contou com a participação de nomes importantes da cultura nacional, como o crítico de arte Mário Barata e a artista Fayga Ostrower.
Também atuou no rádio, criou e apresentou o Programa Show do Livro, na Rádio Imprensa FM, durante os anos 1990, experiência que reforçou sua atuação na comunicação e na divulgação da literatura e da cultura.
Ainda na década de 1990, foi editor da ISM News, revista eletrônica ligada ao provedor de Internet ISM, no Rio de Janeiro. A publicação surgiu em um momento pioneiro do jornalismo cultural na Internet brasileira.
Em 1999, entrevistou Affonso Romano de Sant’Anna para a publicação. A ISM News também entrevistou importantes personagens da cultura brasileira, entre eles João Ubaldo Ribeiro.
Atuou como assessor de comunicação do Festival Internacional de Ciência na TV – Ver Ciência, realizado no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro.
Dramaturgia
A partir dessas experiências, Ivanovich consolidou sua produção dramatúrgica.
Entre suas peças estão O Despossuído, Andersen Lobato, Adoro Mozart, A História do Homem que Ouve Mozart e da Moça do Lado que Escuta o Homem (destaques dos festivais de Curitiba e Porto Alegre em Cena de 2012), Morada dos Ossos, Profissão Poesia, Mãe, Eu Vou Ser Mãe, Viva!, Bullying, Tô Fora!, O Drama da Família Gastão e O Requerimento de Sêneca, A Corticeira, Você Não Está Sozinho, entre outras.
A Sociedade Brasileira de Autores Teatrais – SBAT – cuida dessas obras.
2004 — criação da Cia. Teatral Ensinoemcena
Em 2004, criou a Cia. Tabacaria Brasileiro, ocupando o Museu Nacional de Belas Artes com o espetáculo Poetas Portugueses; em seguida, no mesmo ano, produziu, montou e atuou em A Tabacaria, de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, no Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro.
O espetáculo gerou o CD Saudades do Pessoa, com Francis Ivanovich interpretando 12 poemas de Fernando Pessoa, que foi adotado pela Ordem dos Advogados do Brasil, OAB Rio de Janeiro, além de ser atração especial do seu congresso nacional, no Hotel Glória.
Fundou a Cia Teatral Ensinoemcena, que se tornou um núcleo de produção, montagem e circulação de sua dramaturgia voltada exclusivamente para a juventude.
A companhia desenvolveu uma proposta de aproximação entre teatro e educação, abordando temas sociais, psicológicos e educacionais como bullying, drogas, gravidez na adolescência, escolhas profissionais, educação financeira, relações familiares e poesia.
No mesmo ano coproduziu com Luiz Antônio Rocha da espaço Cêncio, o espetáculo Uma Aventura no Outro Mundo, texto de Gilray Coutinho, em cartaz no Teatro Calara Nunes.
Em 2008 foi o responsável pela abertura do teatro Pinheiro Guimarães com sua peça teatral: Adoro Mozart.
Teatro e educação
Ao longo dos anos seguintes, a Ensinoemcena consolidou um repertório próprio, com espetáculos como Profissão Poesia, Viva!, Mãe, Eu Vou Ser Mãe, Bullying, Tô Fora!, O Drama da Família Gastão e Você Não Está Sozinho.
Bullying, Tô Fora! alcançou grande repercussão e foi apresentado em escolas públicas e privadas do Rio de Janeiro. Em 2011, Ivanovich foi entrevistado pelo Jornal do Brasil sobre o espetáculo e sobre sua defesa de uma formação educacional que incorporasse também artes, filosofia e sociologia.
Festivais
Entre seus trabalhos dramatúrgicos mais importantes estão A História do Homem que Ouve Mozart e da Moça do Lado que Escuta o Homem, que marcou os festivais de Curitiba e Porto Alegre em Cena, 2012.
escreveu e dirigiu Morada dos Ossos, peça inspirada em uma notícia real ocorrida em Portugal.
O espetáculo estreou em 6 de abril de 2013, no Centro Cultural Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro, com Ivanovich como autor e diretor; e também foi montado em Portugal, por estudantes.
A obra aborda solidão, envelhecimento, isolamento e relações familiares, representando uma vertente mais adulta, existencial e psicológica de sua dramaturgia.
Literatura
Em 2010, publicou O Contador de Mentiras, obra de prosa marcada por conflitos psicológicos, contradições e dilemas morais.
Sua produção literária continuou nas décadas seguintes, com textos e obras registrados na Biblioteca Nacional. Entre seus trabalhos mais recentes está O Homem que Saiu do Buraco.
Cinema
Paralelamente ao teatro e à literatura, aprofundou sua formação cinematográfica. Estudou Direção na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro, onde também atuou como produtor.
Em 2008 produziu e dirigiu seu primeiro filme, o Doc-ficção A Deus Paissandu, com o patrocínio da centenária Casa Cruz; que em 2023, foi concluído como documentário Adeus Paissandu:

Curador da Mostra de Cinema suíco, para o Consulado da Suíça do Rio de Janeiro, em 2018.
A partir dessa formação, desenvolveu trabalhos como cineasta, roteirista e diretor, entre eles os longas O Homem de Escrever (2014) e Safo (2016), este último estreou no Cine Odeon no Rio de Janeiro, além de outros trabalhos audiovisuais como curtas, documentários, experimentais e shows de música.
O Homem de Escrever é longa-metragem independente de Francis Ivanovich, produção ee Filmes (Frankfurt Produções) 2014-2015, Brasil.
Com Léo Wainer, Adriana Zattar, Eduardo Carneiro, Norberto Presta, Marisa Gomes, Marcelo Matos, Dai Fiorati, Tatiana Wainer, Raphaela Tafuri, Vanessa Galvão, Paulo Veira, Carmem Salles, Daniel Soria, Mario Augusto, Fernando Vieri, André Neponuceno, , entre outros.
Música de Arnaldo Luis Miranda, arranjo Anderson Erthal.
[CERTIFICADO DE PRODUTO BRASILEIRO (CPB) Número: B17 – 000093 – 00000.
Filme em homenagem ao escritor russo Dostoievski. O personagem Julio Montenegro é professor de literatura russa e sonha escrever seu primeiro livro. Julio só consegue criar em sua velha máquina de escrever, a qual leva para a rua, a fim de inspirar-se no cotidiano da cidade. A máquina de escrever acaba sendo roubada e Julio inicia uma aventura que vai culminar em sua grande obra.
FESTIVAIS:
Festival de la Luz, Bogotá, Colômbia, quando disputou prêmio de melhor fotografia (2014);
Primeiro Festival Internacional de Caracas, do Governo Venezuelano, que ocorreu entre 12 e 21 de setembro de 2014.
Primeiro Festival Internacional de Cinema e Literatura, Cine Trofa 2014, TROFA, Portugal, em homenagem ao escritor José Saramago, entre os dias 01 e 04 de outubro de 2014;
Além de conquistar prêmio melhor atriz para Adriana Zattar em O HOMEM DE ESCREVER no Festival de Cinema Overllook, Roma, Itália (2015).
-O HOMEM DE ESCREVER também foi exibido a bordo dos aviões da TAP em toda Europa, e teve exibições em Buenos Aires e Munique, Alemanha (2015).
-Festival de Cine Latinoamericano y Caribeño de Margarita, Venezuela (Filmar 2015)
Em 2023 realizou a Mostra Ivanovich 60 na Cinemateca do MAM Rio, quando exibiu sua produção audiovisual: https://oglobo.globo.com/rio/bairros/zona-sul/noticia/2023/11/18/pintor-e-cineasta-comemora-60-anos-com-mostra-gratuita-de-filmes-e-quadros.ghtml
Já produziu e dirigiu mais de 30 filmes, entre longas, curtas e documentários, com curtas filmados na Argentina e Uruguai.
Prêmio Nacional de Dramaturgia Flávio Migliaccio
Ivanovich criou o Prêmio Nacional de Dramaturgia Flávio Migliaccio, iniciativa voltada ao estímulo e à descoberta de novos autores teatrais brasileiros.
A iniciativa estabelece uma relação entre a memória de Flávio Migliaccio e a renovação da dramaturgia nacional. Ivanovich atua como criador e diretor do prêmio.
Festival Nacional de Curtas Flávio Migliaccio
Como produtor cultural, criou e dirige o Festival Nacional de Curtas Flávio Migliaccio, dedicado ao curta-metragem brasileiro e à valorização de novos realizadores.
Em 2026, dirigiu e produziu a terceira edição do festival, realizada na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro — MAM Rio. Foram recebidos 110 filmes, com 12 obras selecionadas para a programação.
Documentário EMIR
Em 2026, dirigiu o documentário EMIR, produzido pela Frankfurt Produções.
Com aproximadamente 42 minutos, o filme acompanha Emir, personagem que há mais de três décadas vende água de coco no Aterro do Flamengo, próximo ao Monumento a Estácio de Sá e diante do Pão de Açúcar.
O documentário reafirma seu interesse por personagens, memória, trabalho e cidade, transformando uma história individual em registro de uma dimensão da vida carioca.
Jazz Online Brasil
Na área musical, Francis Ivanovich é diretor do Jazz Online Brasil, projeto dedicado ao registro, à divulgação e à valorização do jazz brasileiro, reunindo e registrando grandes nomes da música instrumental do país.
O projeto amplia sua atuação audiovisual para o universo musical e contribui para a formação de um acervo contemporâneo do jazz brasileiro.
Jazz no Rebel
Atualmente, Francis Ivanovich dirige o audiovisual do projeto Jazz no Rebel, realizado no icônico Estúdio Audio Rebel, no Rio de Janeiro.
O projeto reúne músicos de destaque do jazz brasileiro em apresentações registradas em audiovisual. O material é disponibilizado no canal Jazz no Rebel no YouTube, criando um espaço permanente de divulgação da música e de preservação audiovisual da cena contemporânea do jazz brasileiro.
O projeto estabelece uma nova conexão em sua trajetória entre cinema, música e registro documental, utilizando o audiovisual para preservar performances e artistas de uma das mais importantes cenas musicais do país.
Artes visuais
Em uma fase posterior de sua trajetória, Ivanovich intensificou sua produção como pintor.
Entre suas obras estão A Guerra Nossa de Cada Dia, O Cogumelo de Herodes, Sangue Preto, Ouro Preto Antes de Ser Ouro Preto, Queimada Num Campo de Flores, Os Últimos Girassóis de Van Gogh, A Mulher de Gaz e Um Passeio na Quinta da Boa Vista.
Sua pintura mantém o interesse por questões históricas, sociais e humanas que também aparecem em sua literatura, dramaturgia e cinema.
Uma trajetória multidisciplinar
A trajetória de Francis Ivanovich é marcada pela passagem constante entre diferentes formas de expressão.
É escritor, dramaturgo, jornalista, cineasta, roteirista, diretor, produtor cultural, editor e pintor.
Criou a Revista de Artes Expor, participou de uma experiência pioneira de jornalismo cultural na Internet com a ISM News, apresentou o Show do Livro na Rádio Imprensa FM, criou a Cia. Teatral Ensinoemcena, criou o Prêmio Nacional de Dramaturgia Flávio Migliaccio, criou e dirige o Festival Nacional de Curtas Flávio Migliaccio, dirige o Jazz Online Brasil e atualmente dirige o audiovisual do Jazz no Rebel.
Sua trajetória reúne, assim, literatura, jornalismo, rádio, teatro, cinema, televisão e audiovisual, música, artes visuais e produção cultural.
Mais de quatro décadas depois de sua formação literária nos anos 1980, Francis Ivanovich permanece em atividade, escrevendo, dirigindo, produzindo, pintando e criando novos projetos.
Sua obra tem como eixo permanente a observação do ser humano, da sociedade, da memória e da cultura brasileira — transformando experiências, personagens e acontecimentos em literatura, teatro, cinema, música e arte.
Atualmente desenvolve novos projetos literários, teatrais e de audiovisual.