Hoje o Inverno nos agasalha, inicia seus dias álgidos, nos lembrando que a vida é composta de estações, de que nada é permanente.
Neste domingo em que a estação glacial penetra pelas portas e janelas, é o mesmo domingo em que se realiza a missa de um ano da partida da minha eterna professora e amiga, Marina Paranhos, cujo coração e a mente eram o próprio Sol.

A saudade de alguém querido fica mais intensa num domingo de inverno.
Não desgosto dessa estação gélida cuja divindade é Bóreas, o deus grego dos ventos frios e do inverno.
O Rio de Janeiro no inverno se torna outra cidade, talvez uma Dublin de Joyce, a capital da Irlanda, onde a neve é rara, mas a umidade é alta.
Adriana Calcanhoto cantou que “carioca não gosta de dias nublados”, eu acrescentaria, e “não gosta de dias frios”.
Mas viver é também sentir na pele e no coração todas as temperaturas, altas ou baixas e de vez em quando as amenas.
Para viver todos nós temos de ser um pouco meteorologistas dos dias.
Desejo a você um bom inverno, sem gripe e aquecido na alma.
E como nos alerta Albert Camus:
“E no meio de um inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível”.
Agora ouça no link abaixo “Inverno, das Quatro Estações”, de Vivaldi com a Filarmônica da USP.


