O incêndio

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As notícias nos dão conta de que o mundo atual está muito conturbado, que dias difíceis estão batendo à noosa porta.

Há inequivocamente um clima de desconfiança, insegurança e imprevisibilidade pairando sobre as nossas cabeças.

Na Europa, os estudantes estão nas ruas demonstrando sua insatisfação com o sistema, com os políticos, sem perspectivas de futuro.

Um importante militar inglês, do alto escalão do governo britânico, alerta para a possibilidade de guerra e sacrifícios.

Nos EUA, um presidente com mais de 60% de impopularidade, insiste numa política que despreza o diálogo e privilegia a força.

No Brasil, estamos próximos de uma eleição polarizada, que divide o país ao meio, cujo resultado é imprevisível,

Dias vindouros que provocam  angústia, medo e instabilidade.

Há dias que temos o desejo de não tocar a tela do celular, abrir a janela, despertar o monstro, para ficarmos alheios a tudo à nossa volta, a fim de respirar um pouco mais aliviado.

Não se trata de fugir, mas fazer uma pausa na loucura.

Viver, sobreviver, resistir, equilibrar-se, manter a calma,  sentir que a nossa vida é mais importante do que as notícias, as postagens, as opiniões, as certezas, as promessas, as seduções, as pesquisas.

Nesses momentos, eu simplesmente observo uma árvore. Esse ser incrível que aparentemente não sai do lugar e pacientemente assiste ao mundo, ao sabor dos ventos.

As árvores nos ensinam que os dias nunca são iguais, fazem recordar as singularidades das estações,  ampliam o canto dos pássaros, e que em dias quentes as sombras também podem ser refrescantes.

A gente necessita ser árvore, de vez em quando.

Ficar em silêncio, experimentar esse verdor.

Não há como passar 24 horas como lenhador, segurando um machado nas mãos, derrubando florestas.

Não sabemos o que vem pela frente.

Onde e quando o incêndio vai iniciar.

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