Algo que aprendi é que a ficção jamais superará a realidade da vida. Ocorrem fatos neste mundo que nem os maiores escritores, cineastas são capazes de criar.
Estou perplexo com o que ocorreu ao padre Patricio Alfredo Sánchez Molinari, no altar de uma igreja católica na cidade de Guayaquil, no Equador.
No último sábado, 17 de outubro, a cruz com o Cristo crucificado, que ornava a parede, atrás do altar, simplesmente tombou sobre a cabeça do sacerdote, tirando sua vida na hora, diante dos fiéis que assistiam a missa e que era transmitida ao vivo pela internet. O padre alertava aos fiéis que todos vamos morrer um dia.
Imediatamente recordei de uma famosa e premiada série americana, de 2005, produzida pela HBO, Six Feet Under, A Sete Palmos, em português.
Cada episódio, iniciava com a morte absurda de alguém, acidentes aparentemente banais, como um simples escorregão.
Não irei reproduzir o vídeo da morte do Padre Patricio aqui, por respeito, mas é algo quase que inacreditável, que se não fosse registrado pela câmera, e com tantas testemunhas, poderia ter sido uma cena criada por Stephen King.
Fico imaginando o jovem Patricio chegando ao seminário, dedicando sua juventude à vida sacerdotal, sendo ordenado padre e, mais tarde, ser designado para uma modesta igreja de Guayaquil.
Ele chega à igreja, se posta diante do altar, vê o Cristo na Cruz, a mesma cruz que um dia irá cair sobre a sua cabeça, tirando-lhe a vida, enquanto realizava sua missa.
A morte é realmente um mistério indecifrável. O que sabemos é que todos nós também partiremos deste mundo, mas não sabemos quando e de que maneira.
Alguns mestres refletiram sobre a morte. O filósofo Immanuel Kant afirmou que “se vale a pena viver e se a morte faz parte da vida, então, morrer também vale a pena”.
Epicuro diz: A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos mais”.
Sobre a morte prefiro mesmo o que disse o meu querido poeta Mário Quintana, que indicava que a frase deveria estar fixada na porta dos cemitérios: “A morte não melhora ninguém”.
Que Padre Patrício descanse em paz e seja lembrado pelos que o conheceram como um bom homem para a sua comunidade.
Eu continuo perplexo.


