“Dá me os óculos”.
Disse o poeta na hora final.
Todos nós diremos algo
no momento derradeiro.
A frase, a palavra, o silêncio.
Resumo absoluto de nossa vida.
O que direi? O que você dirá?
Não sei.
Não tenho consciência do verbo.
Ainda sou sujeito indeterminado,
oculto nas entranhas do sonho,
da esperança.




