Por Francis Ivanovich.
Uma das maiores alegrias que sinto é descobrir os mistérios das cidades. Não há melhor maneira de investigar tais mistérios, do que caminhar pelas ruas, com a lupa da curiosidade.
Na Rua General Vasco Alves, quase no cruzamento com a Rua Fernando Machado, no Centro Histórico de Porto Alegre, me deparo com um desses mistérios. Ergue-se uma construção bizarra, um pequeno castelo de aparência medieval.
Pergunto a um porto alegrense que passa o que é a construção? Ele me diz que é uma casa que pertence a um brigadeiro. Desconfio que o cidadão desconheça a história que se oculta naquele castelo perdido.
Perplexo com o que vejo, numa rua aparentemente sem atrativos, vou atrás da história, como um Sherlock Holmes dos trópicos.

O castelinho foi idealizado e erguido pelo político (sempre eles) do Partido Social Democrata gaúcho (PSD), Carlos Eurico Gomes, para viver com sua amante, uma bela jovem de 18 anos, Nilza Linck, que era desquitada e mãe de um menino. Em 1948 foi ano da conclusão das obras. Gomes, além de apaixonado pela mulher, era também pelo período medieval, em especial castelos.

O mais surpreendente dessa história real, é que dela surgiu uma lenda: Gomes, até então casado com Ruth Caldas, irmã do proprietário do jornal Correio do Povo, que circula até hoje, era um homem muito ciumento e mantinha sua bela Nilza trancada no terceiro andar do seu castelo bizarro.
Há um livro em PDF disponível na internet (link abaixo): A Prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze, de Juremir Machado da Silva, contando essa história com relatos da própria Nilza que faleceu aos 98 anos, em 2021, em Porto Alegre.
Hoje o castelinho, que já funcionou como boate, nos anos 50, está fechado e foi transformado em espaço cultural (fechado).
Eu sempre digo que a ficção jamais irá superar a realidade da vida humana. As ruas estão repletas de deliciosos mistérios.
Link do livro em PDF: https://share.google/qdT6nDrXKFw395MUX
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