Um dia qualquer, você senta-se e começa a escrever uma história, a personagem ganha vida, as ideias tomam forma sobre a folha em branco. 

Depois, você termina o solitário trabalho e decide botar o texto na vida, em carne-papel, entre os homens de sangue-osso, sem saber no que vai dar.

Hoje fui aos Correios enviar o pocket book O Homem que Saiu do Buraco para o cineasta João Marcelo, que reside na cidade de Surubim, Pernambuco. Ele comprou o livro, e isso me deu imensa alegria.

A alegria não é pelo fato da compra em si, não escrevo pensando em grana, mas pelo que ela representa em sua essência.

O que um dia foi ideia, transformou-se num livro impresso, objeto real, que neste momento está viajando por quilômetros até a casa do João.

Ao recebê-lo, o João abrirá o envelope, tocando o objeto livro, mergulhando, em seguida, seus olhos sobre páginas ainda não decifradas, sentindo a brisa misteriosa do encontro.

O João, simplesmente, escancarou as portas da sua casa, do seu coração, dizendo-me: bem-vindo, autor!

Considero esse encontro, do leitor com a obra, materializada no objeto livro, autêntico milagre, que alimenta e faz valer a pena a aventura da dolorosa escrita.

Escrever, publicar e ser lido é uma via crucis, que em tempos de domínio digital e a utilização descarada de IA, tornou desafio quase que intransponível.

Ter o João como leitor é um privilégio, honra.

E eu nem sabia que um dia viajaria como homem-pergaminho para a cidade de Surubim, capital da vaquejada, a 119 quilômetros do Recife.

E que viagem maravilhosa até a casa do João Marcelo!