O longa Corrida dos Bichos é uma das produções mais lamentáveis e pobres do cinema brasileiro contemporâneo.
Bons diretores também cometem equívocos, e Fernando Meirelles, Ernesto Solis e Rodrigo Pesavento, em Corrida dos Bichos, erram mais do que acertam. Não há dúvidas.
O que mais me entristece nessa produção é a maneira como o Rio de Janeiro é tratado e retratado.
Em vez de uma cidade vencida, derrotada pelas mazelas que a adoeceram e a dividiram, a produção se curva diante de um olhar raso, reflexo de um país que ainda não se libertou de seu complexo de vira-lata, subjugado pelo interesse supremo do mercado.
A produção, bancada pela Amazon Prime e orçada em mais de 20 milhões de reais, ao que parece, optou pelo exclusivo retorno financeiro, sacrificando sua alma, sua estética e seu coração.
O filme é pobre no sentido de não oferecer ao espectador a possibilidade de refletir sobre o que significa, realmente, sobreviver em um Rio de Janeiro distópico.
E sobreviver o carioca entende muito bem.
Todos os dias, ele sai de casa cedo, dando início à sua própria corrida: escapando de bichos, desviando de balas perdidas, enfrentando o desrespeito e o abandono.
Quanto às atuações, são vazias, desprovidas de compromisso ético e estético, baseadas em uma partitura de uma nota só: a caricatura.
A narração das corridas dos bichos, feita pela cantora Anitta, é mero efeito, sincronizada com a obviedade.
Esta produção é uma corrida perdida: uma maratona em marcha-ré, um tropeço, um tombo e, ao final, sem vencedores.


