A BBC News publicou uma reportagem que me deixou impressionado. As empresas de Inteligência Artificial estão destruindo milhares de livros mundo afora. Por que fazem? Simplesmente para alimentar suas IAs.


Como fazem?

Encomendam aos sebos de diversas partes do mundo livros, os quais são desmontados e escaneados em máquinas que enviam a informação para as IAs. Essas empresas encomendam todos os títulos possíveis, da culinária à literatura, da ciência ao ocultismo. As IAs têm fome, precisam ser alimentadas com suas bocarras que, sem mastigar, engolem nossa cultura, nossos costumes, quem somos.


Livreiros, editores e especialistas temem que esse processo acabe por gerar conteúdos pouco confiáveis no futuro. Um livro não é somente feito de páginas, mas de capa, do lugar onde foi impresso, do tipo de papel, da circunstância em que está inserido. Os especialistas e livreiros propõem que eles mesmos façam esse serviço de digitalização, sem destruir o livro físico.

Há livros que são raros, foram produzidos de maneira independente e que, ao serem destruídos, simplesmente desaparecerão para sempre.


A cada dia assistimos à revolução que a Inteligência Artificial está provocando na vida da humanidade. Sua utilidade é indiscutível, mas ela não pode, ao mesmo tempo, ser uma devoradora da memória, como se fosse uma traça digital a corroer e destruir os livros físicos.


A memória da humanidade está em jogo.